RG CRÍTICA #42: A EXCITANTE VOLTA DE 'AMOR E SEXO'

Fernanda Lima e companhia estrearam nova temporada em novo dia e horário na Globo. O resultado foi bom para todos nós!

RG INDICA #60: LEITURA DINÂMICA

Revista eletrônica da RedeTV! mostra que existe vida para programas desse gênero além dos domingos.

RG CRÍTICA #41: RETROSPECTIVA 2015

Confira o que foi destaque na TV aberta neste ano.

RG INDICA #59: ESPECIAL DE NATAL 2015

Confira a programação especial da TV aberta para celebrar a noite de Natal.

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sexta-feira, 13 de março de 2015

RG ENTREVISTA #10: MÁRCIO BALLAS

Um dos apresentadores mais engraçados da TV brasileira conversou com o RG na TV. Confira!

Antes de qualquer coisa, precisamos dizer que o décimo entrevistado do nosso blog não é apenas apresentador. Ele é palhaço, ator, diretor e dramaturgo especializado na linguagem de Clown e Improviso Teatral. Esse paulista de 43 anos já se apresentou com os “Palhaços Sem Fronteiras” franceses em campos de refugiados durante a guerra do Kosovo, foi “Doutor da Alegria” por quatro anos aqui no Brasil e já foi campeão mundial de improviso no Festival Internacional de Bogotá. Tá achando pouco? O currículo fora das telinhas de Márcio Ballas é extenso e bastante relevante. Mas não demorou muito para que ele fosse descoberto pela televisão e também construísse uma história de sucesso nesse meio sem perder a sua essência teatral, humorística e de improviso que marcou positivamente suas passagens pela Bandeirantes e no SBT. E mesmo descansando um pouco da TV, mas com agenda corrida no teatro, Márcio parou um pouquinho para participar deste #RGEntrevista.


RG na TV: Márcio, antes de chegar na televisão, é preciso esclarecer que sua formação é bastante teatral. Como tudo isso lhe ajudou a chegar na telinha?
Márcio Ballas: O meu primeiro convite pra apresentar o 'É Tudo Improviso' veio de uma diretora da Band que me viu fazendo um espetáculo no teatro. Eu já trabalhava como apresentador há 10 anos, então isso me ajudou bastante ao ter que exercer essa função num programa de TV.

RG: O "É Tudo Improviso" foi o seu primeiro programa, que estreou em 2010 com duas responsabilidades: A primeira, de substituir o CQC no período de férias e a segunda, de reapresentar os Barbixas, que vinham do sucesso do "Quinta Categoria", na MTV. Quais eram as suas expectativas para a estreia da atração naquela época?
Márcio: A expectativa era alta pois pela primeira vez o improviso seria mostrado na TV aberta. Nós já fazíamos no teatro para grandes públicos, mas fazer para milhões de pessoas, que estão assistindo dentro de suas casas era totalmente novo para nós. Ficamos muito felizes que o programa deu certo e agora até está sendo reprisado no canal a cabo TBS.

RG: Foram três temporadas do "É Tudo Improviso" na Bandeirantes. Uma quarta foi gravada, mas só foi exibida recentemente, na TV fechada. Quais são as lembranças que você guarda daquele programa?
Márcio: Foi uma experiência incrível para mim. Fazer o que eu gosto, junto com meus parceiros de palco [Márcio Ballas foi Diretor “Improvisacional” do espetáculo “Improvável” da Cia. Barbixas de Humor, onde também atua como mestre de cerimônias e jogador convidado] e ainda ser tão bem recebido pelo publico que pôde conhecer a beleza e a magia do improviso.

Márcio Ballas começou na TV no "É Tudo Improviso" na Band.

RG: Após a sua passagem pela Band, você foi contratado pelo SBT a apresentar o "Cante Se Puder". A situação era bem diferente: Você agora tinha um roteiro para seguir e dividia o palco com "a filha do Patrão", Patricia Abravanel. Qual foi o maior desafio dessa etapa pra você? Ainda dava para improvisar naquela época?
Márcio: Ir para o SBT foi mais um grande desafio, pois eu teria que apresentar um programa que não tinha nada a ver com o que eu tinha feito nos meus 15 anos de carreira no teatro. Além disso teria que apresentar com a Patrícia, que eu não conhecia e é dona da emissora. No fim das contas foi muito bacana, a parceria com ela foi muito boa, fizemos uma dupla que funcionou e o programa bombou na época e acabou ficando no ar direto durante um ano e meio.

RG: Logo após o "Cante", veio o projeto do "Esse Artista Sou Eu", que estreou com grande sucesso em 2014. Você também voltou a apresentar sozinho. Nesse seu terceiro programa na TV aberta, foi perceptível um amadurecimento seu em frente às câmeras. Você concorda?
Márcio: Como em todos os trabalhos, quanto mais você exercita, mais vai melhorar. Apresentar não é diferente. Fui aprendendo as manhas e artimanhas da função e continuo estudando e vendo outros apresentadores para tentar ficar cada vez melhor.

RG: A primeira temporada do "Esse Artista Sou Eu" foi cercada de polêmicas entre os participantes. Para você, o que (e/ou quem) mais te surpreendeu no reality?
Márcio: O “Esse Artista Sou Eu” foi um programa que me surpreendia a cada gravação. Os cantores estavam transformados de tal maneira que até pra gente era incrível de assistir. O diretor inclusive me proibiu (e os jurados também!) de ver os participantes antes deles cantarem. Assim quando eles entravam era uma grande surpresa pra nós!

Feliz com o sucesso da primeira temporada do "Esse Artista Sou Eu" no ano passado, Márcio espera voltar com o programa em 2015.

RG: Se Márcio Ballas fosse um participante do EASE, em quem você gostaria de se transformar e porquê.
Márcio: Arnaldo Antunes. Sou fã dele.

RG: O "É Tudo Improviso" voltou a ser exibido no canal fechado TBS e tem sido um grande sucesso de audiência. Você acha que falta improviso na TV ultimamente?
Márcio: É muito legal de ver que mesmo num canal a cabo, o programa continua tendo um grande sucesso. Por mim teria um programa de improviso em cada canal! (risos)

RG: Quais são os seus planos profissionais para 2015? Já pensou em participar de alguma novela? O remake de "Cúmplices de Um Resgate" tá chegando no SBT esse ano...
Márcio: Continuo apresentando a Noite de Improviso no Comedians Club todas as quartas feiras em São Paulo. Além disso tenho um espaço chamado Casa do Humor na Vila Madalena onde damos cursos de Improviso, Clown e Stand Up para iniciantes, isto é, qualquer pessoa que queira aprender um pouco dessas linguagens. E para TV, estou na espera de uma segunda temporada do Esse Artista Sou Eu, que foi um programa que eu amei fazer e tomara que volte logo.

Obrigado, Márcio! :)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

RG ENTREVISTA #09: GUSTAVO ALMEIDA

Gestor de Programação da TVU Recife tem um papo franco sobre televisão.

Gustavo tá na TVU desde 2012.

“...Pra que emprego, que coisa chata! / Aproveite o Carnaval / Mesmo sem luz, proteção, nem dinheiro / Por favor, não mude o canal...”. O trecho da música “Seu Mestre Mandou”, de Pitty, mostra um pouco da influência que recebemos da televisão, que a cada dia se mostra uma faca de dois gumes. Nos divertimos, mas também nos iludimos. Nos informamos, mas também nos enganamos. O #RGnaTV sempre mostra o lado positivo e bacana da telinha, mas é bastante oportuno mostrar também um lado crítico sobre esse, ainda imponente, veículo de comunicação. E acho que consegui falar com uma pessoa certa para esse #RGEntrevista. Gustavo Almeida é diretor de programação da TV Universitária, em Recife. Nesta pequena-grande conversa, além de falar da sua carreira, o também editor do blog colaborativo Recortes do Todo falou um pouco sobre TV pública, o posicionamento da mídia sobre manifestações como o “Ocupe Estelita” e os aspectos positivos e negativos do que temos na TV aberta atualmente.

RG na TV: Como você veio parar na área de comunicação? Era uma vontade sua? Pode contar um pouco da sua trajetória?
Gustavo Almeida: Lembro-me de, ainda criança, dizer em casa que queria morar dentro da televisão, de tanto que eu gostava de ficar sintonizado! Fiz Comunicação Social com habilitação em Rádio & TV na UFPE e, no mesmo período, também cursei o profissionalizante de nível médio em Radialismo, na antiga Escola Técnica Federal de PE, hoje IFPE. Um ano e meio era a duração desse curso. Terminei-o quando estava no quarto semestre do curso superior (1998). Fui solicitar um estágio na Rede Globo Nordeste e consegui. Assim que eu entrei, surgiu uma vaga para um cargo efetivo, candidatei-me e depois de um rigoroso processo seletivo, que durou um mês, eu fui contratado.
Ali começava, efetivamente, minha carreira profissional. Na Globo eu fui produtor e redator de promoções da Programação e coordenador de transmissão ao vivo e de gravações especiais, além de desenvolver também outras atividades correlatas. Fiz alguns intercâmbios na sede da empresa no RJ e também em SP, foi uma boa escola. Saí de lá para ser gerente de Produção e Programação da TV Jornal. Fiquei quase 3 anos na emissora do Sistema JC. Durante minha passagem por lá, ingressei no mestrado em Comunicação da UFPE, com pesquisa sobre o discurso autopromocional da televisão brasileira. A saída da TV Jornal coincidiu com a conclusão do mestrado e minha decisão de seguir carreira acadêmica. Tornei-me professor de Comunicação e passei a lecionar em algumas faculdades. Ainda voltei pra Globo e passei mais 1 ano meio. Em 2011 dirigi um programa televisivo sobre moda e comportamento (“Casa de Botão” – 23 programas), fruto de um projeto da Plano 9 Produções, incentivado pelo Funcultura. Eu diria que isso resume a minha trajetória até 2012.

RG: Hoje você é responsável pelo setor de programação da TV Universitária, mas dentro da emissora você já foi apresentador e diretor, certo? Quanto tempo você está na casa e como é a sua relação com o canal?
Gustavo: Entrei na TVU em 2012, no cargo de diretor de produção, através de aprovação em concurso público, pois a emissora faz parte do NTVRU, Núcleo de TV e Rádios Universitárias da UFPE, ou seja, voltei para a Universidade que me formou, agora não mais como estudante de graduação e de mestrado, mas sim como servidor. Na emissora, já desempenhei algumas variadas atividades, sempre ligadas às áreas de produção e programação. Não fui apresentador, mas locutor, produtor e redator de chamadas, coordenador de transmissão ao vivo, diretor de documentário, diretor de programa, produtor, roteirista de programação e, desde julho/2014, estou como gestor do departamento de Programação, buscando participar ativamente do projeto de reestruturação organizacional em curso.

RG: Desde o início de 2013, a TVU começou a investir numa nova identidade visual e no slogan "Nossa TV Pública". Poderia falar um pouco sobre o que é uma TV pública e como tem sido a atuação da TV Universitária nesse meio?
Gustavo: Essa pergunta pede uma longa resposta, bem maior do que as anteriores, não cabe aqui nessa entrevista, talvez em outro espaço, mas tentarei esclarecer em linhas gerais.
Historicamente, em 1950, a televisão no Brasil surgiu comercial, diferentemente do que ocorreu nos mais importantes países da Europa, berço da televisão e da comunicação pública. Em nosso país, a televisão pública só veio surgir em 1968, exatamente com a inauguração da TV Universitária do Recife, que foi, na verdade, a primeira emissora educativa e que tinha algumas, poucas, características do que se entendia como televisão pública no resto do mundo. A confusão conceitual não é de hoje, começou naquela época. Em 2007, o Governo Lula criou a EBC – Empresa Brasil de Comunicação, fazendo surgir também a nova TV pública nacional, a TV Brasil. A TVU Recife tornou-se parceira da EBC e passou a ter como sua rede geradora a TV Brasil.
História à parte, pode-se dizer que a TV pública tem como princípios, entre outros, a pluralidade de temas, produção de conteúdo – artístico, cultural e jornalístico – sem subordinação a interesses comerciais e, principalmente, que tem sua grade de programação construída coletivamente com a sociedade, representada por alguns cidadãos, indicados pela própria sociedade, em diversos conselhos e comitês das emissoras, tais como conselho curador, conselho de programação ou comitê de conteúdo. Na televisão pública, os comunicadores e demais profissionais não devem estar a serviço de um empresário concessionário de canal de radiodifusão, como nos canais comerciais, e sim a serviço do povo. O cidadão contribuinte é o seu “patrão”. De tal modo que a pluralidade de temas, a qual eu me referi, deve trazer à tona a vastidão de sujeitos, culturas, etnias e outras características que marcam a sociedade, sempre respeitando as pessoas. A participação social, além da presença em conselhos e comitês, deve se dar também através da produção dita independente, isto é, a que não é feita por profissionais da própria emissora, buscando assim garantir diversidade e diversificação de olhares e percepções de variados produtores e diretores de conteúdo.
Em suma é isso, mas reforço o que disse no início da resposta, o debate sobre TV pública é muito amplo para se esgotar aqui nessa breve entrevista. Antes de terminar a resposta, sugiro uma leitura atenta ao Projeto de Lei de Iniciativa Popular que está circulando no país. Este projeto, popularmente chamado de Lei da Mídia Democrática, pretende, primeiramente, conseguir a regulamentação constitucional dos itens que versam sobre a Comunicação Social e, a partir daí, criar regras e definir ferramentas de controle social sobre os veículos de comunicação eletrônica no Brasil. O projeto está na íntegra apresentado no site www.paraexpressaraliberdade.org.br.

"Não se tem comunicação social e sim comunicação capital."
(Gustavo Almeida, sobre a cobertura da imprensa local do "Ocupe Estelita")

RG: Alguns programas da TVU saíram do ar esse ano, tais como o Curta Pernambuco (que era o programa mais antigo da emissora até então) e o Cinema 11. Poderia dizer quais os motivos? Eles voltarão?
Gustavo: Os referidos programas saíram da grade por força de um projeto de reestruturação organizacional que a atual gestão do NTVRU está empreendendo desde fevereiro de 2014. A partir da escassez do quadro de servidores e de cortes da UFPE no número de bolsas para estudantes, entre outras coisas, o corpo gestor adotou a estratégia de eleger algumas prioridades, no caso da produção de conteúdo a prioridade deste ano foi dada ao programa de debate Opinião Pernambuco, assim, o Curta PE e o Cinema 11 foram retirados da grade. Mas a proposta da reestruturação prevê uma faixa de programação dedicada à cadeia produtiva do audiovisual local ainda maior do que os 30 minutos semanais de cada programa que saiu. A gestão do NTVRU e a UFPE entendem a importância da produção cultural e audiovisual que vem destacando Pernambuco no cenário nacional e também na esfera internacional e pretende destinar uma (ou mais de uma) faixa horária especialmente voltada à veiculação de produções audiovisuais pernambucanas. Se os programas vão voltar ou não, só saberemos quando o Comitê de Conteúdo do Núcleo estiver atuando efetivamente, algo previsto ainda para 2014.

RG: A televisão pernambucana - na verdade, a imprensa do estado como um todo - tem sido questionada atualmente por levar ao seu público uma visão muito parcial de casos de grande relevância na nossa sociedade, como o movimento #OcupeEstelita. Qual o seu ponto de vista sobre este caso e a falta de espaço desse assunto à população?
Gustavo: Minha opinião é objetiva, tal e qual a objetividade do mercado publicitário, que mantém as emissoras comerciais. Esse tema não tem espaço nos canais comerciais e jornais porque a indústria em torno dos empreendimentos imobiliários é uma das principais anunciantes desses veículos. A linha editorial do veículo termina subordinada ao seu departamento comercial. E isso não é exclusividade de Pernambuco. Na verdade, digo que não se tem comunicação social e sim comunicação capital.

RG: Estamos na época da TV digital. E o processo de desligamento do sinal analógico já foi determinado por lei em todo o Brasil, embora só seja concluído no final de 2018. Qual a visão da TV Universitária sobre esse assunto?
Gustavo: A UFPE está atenta e muito interessada na migração do sinal analógico para o digital, até porque esse é um processo sem volta. Projetos para essa finalidade estão em curso dentro do Núcleo e sendo acompanhados pela Universidade, tudo dentro das exigências do Ministério das Comunicações.

RG: Pra você, o que falta na televisão aberta atualmente?
Gustavo: Programas de entretenimento com mais criatividade e mais respeito ao cidadão. Jornalismo livre do mercantilismo da comunicação capital e que provoque reflexão sem impor, implícita ou explicitamente, a opinião e/ou ideologia da emissora. Aliás, acho que a empresa/emissora deveria ser obrigada por lei a informar ao cidadão qual a sua linha ideológica e editorial. Isso posto as pessoas seriam menos manipuladas por discursos subliminares e tendenciosos, mentirosamente chamados pelas emissoras de imparciais.

Gustavo tiraria do ar qualquer programa que desrespeite 
os seres vivos.

RG: E na televisão pernambucana?
Gustavo: Sou muito crítico em relação ao que é produzido pelas emissoras de Pernambuco. Não vejo nada de inovador nos programas de produção artística e cultural e nem vejo um jornalismo livre, social e positivamente diferenciado. Com a reestruturação, a TVU Recife pretende preencher essa lacuna, sobretudo, porque faz parte de uma de suas premissas básicas, se vai conseguir ou não, o tempo dirá. Tomara que sim!

RG: O que já te divertiu e o que te diverte na televisão hoje em dia?
Gustavo: Sempre gostei muito de programas musicais e esportivos. Com a chegada da TV por assinatura e seus canais segmentados, passei a ver, com muito prazer, documentários, que é um gênero que não tem espaço na TV aberta, infelizmente. Hoje, com a novidade do conteúdo sob demanda e com a vasta gama de possibilidades que a Internet oferece, tenho me divertido com alguns produtos, programas e canais alternativos nessa multifacetada plataforma, mas usando o suporte televisivo conectado à Internet para assistir. Na televisão aberta continuo vendo programas de esportes e transmissões esportivas. Nos canais por assinatura, documentários dos mais diversos e shows/programas musicais.

RG: O que você tiraria do ar definitivamente?
Gustavo: Qualquer programa ou produto que desrespeite os seres vivos.

Entrevista incrível! Obrigado, Gustavo!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

RG ENTREVISTA #08: SABRINA ROCHA

O quadro de entrevistas do nosso blog está de volta com uma personalidade feminina do jornalismo esportivo pernambucano.

Dizem as línguas machistas que mulher não entende de futebol. Além de ser uma tremenda falácia entremeada num preconceito bobo, aqui em Pernambuco temos provas concretas que mulheres não só entendem do esporte, como podem falar sobre com muita maestria diante das câmeras. Seja no estúdio ou no gramado, Campeonato Brasileiro ou Copa do Mundo, um dos nomes femininos mais lembrados do esporte pernambucano é o dela. Formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará, casada com Flávio Barra e mãe de dois filhos, a jornalista paraense apaixonada pelo Recife cedeu um pouco de seu concorrido tempo para bater uma bolinha aqui com a gente neste #RGEntrevista. O papo de hoje é com Sabrina Rocha, repórter e apresentadora da Rede Globo Nordeste.

RG na TV: Antes de chegarmos na Sabrina jornalista, fiquei sabendo que você foi atleta de vôlei, chegando a jogar pela seleção paraense, em Belém do Pará. Conta pra gente um pouco sobre essa experiência e como você foi parar no jornalismo.
Sabrina Rocha: Com 1,62 só podia ser levantadora, né? (risos) E mandava bem, mas foi uma carreira breve. Logo tive que me dedicar mais aos estudos e deixei as quadras. Não escolhi jornalismo para trabalhar com esportes. Foi coincidência mesmo.

RG: Sua carreira na televisão já foi iniciada como repórter esportiva. Como foi esta fase inicial do seu trabalho até decidir vir para o Recife, em 2002?
Sabrina: Foi puro acaso. Quando fui procurar um estágio, só havia vaga no Departamento de Esportes. Topei na hora e me apaixonei. Isso tudo foi em Belém. Em 2002, mudei para o Recife e trabalhei como repórter da geral. Uma experiência incrível. Em 2005 voltei para o jornalismo esportivo.

RG: Concluindo que os esportes são sua maior paixão nesta profissão, há algum profissional em especial que seria sua inspiração nesta editoria?
Sabrina: Sou fã declarada do Tino Marcos. Quem não é? (risos)

"Pernambuco tem uma torcida apaixonada. Isso é fascinante, mas exige dos profissionais de comunicação muita dedicação e cuidado" (Sabrina Rocha)

RG: Numa época em que o entretenimento caminha lado a lado com a informação, a apresentação de notícias de esporte está cada vez menos formal. Você considera isso um avanço ou um retrocesso? Está sendo fácil acompanhar esse "novo momento" no jornalismo esportivo?
Sabrina: Acho legal essa reviravolta. A novidade nos obriga a rever tudo. As pessoas querem ver o apresentador/repórter de maneira mais natural. Gosto dessa informalidade.

RG: Aqui em Pernambuco temos uma cultura futebolística muito forte. Temos três grandes times na capital. E no interior, outros estão conquistando o seu espaço; diferente de outros estados do nordeste, onde alguns torcem mais para times sulistas. Para você, qual é o maior desafio de cobrir o futebol pernambucano?
Sabrina: Pernambuco tem uma torcida apaixonada. Isso é fascinante, mas exige dos profissionais de comunicação muita dedicação e cuidado. Todo mundo tá por dentro do que acontece nos clubes. Qualquer vacilo... Ah! E esclarecendo logo: não tenho time aqui. Quero os três na Série A. Para nós, jornalistas, isso seria o céu.

RG: Acabamos de viver uma emocionante "Copa das Copas". Pode contar pra gente como foi a sua rotina de cobertura durante o Mundial, os desafios e curiosidades durante esse grande evento realizado no Brasil?
Sabrina: Foi emocionante. O trabalho foi puxado. Não tínhamos hora pra sair. Mas foi fantástico ver o país compartilhar nossa alegria com o mundo. Deu tudo certo. Pena que em campo... Bem, deixa pra lá!

Bastidores: Sabrina Rocha e equipe na cobertura da Copa do Mundo 2014.

RG: Ainda sobre a Copa, no dia em que o Brasil levou aquele vergonhoso 7 x 1 da Alemanha, muitos perceberam que você ficou ligeiramente emocionada ao entrar ao vivo no NETV - 2ª edição após o jogo. O que você sentiu naquele momento ao noticiar um fato histórico do futebol e como conseguiu manter a compostura de profissional sendo, ainda que indiretamente, uma torcedora?
Sabrina: Deu pra perceber? Sério? Fiquei bem triste mesmo. Imaginei o que eu ia dizer lá em casa pra minha filha. Ela tava tão empolgada coma Seleção. Não só ela. Todas as crianças do Brasil. Todos nós estávamos, mas isso faz parte do jogo. Perdemos a Copa e ao mesmo tempo saímos vencedores pela organização do evento.

RG: Tirando a Copa 2014 (claro!), qual a reportagem e/ou cobertura que, se pudesse, definiria melhor toda a sua carreira até hoje e porquê.
Sabrina: A reportagem que mais marcou foi a da filha do Roger, ex-atacante do Sport. Depois de um jogo, Roger foi xingado por um torcedor que falou da filha dele que é deficiente visual. No outro dia mostramos a Giullia, uma menina linda e esperta. Apesar da deficiência, ela tá sempre alegre, costuma ouvir a mãe narrar os jogos do pai. Enfim, foi uma lição pra todos. Emocionei pra valer. (Confira a matéria que ela se refere aqui.)

RG: Você disse em uma entrevista que ética é a palavra mais bonita do jornalismo. Já sensacionalismo, a mais feia da profissão. Qual seria, então, o seu conselho para quem quer ter uma carreira sólida nesta área da comunicação?
Sabrina: Sou chata em relação a isso. Acho que não é só na profissão, mas na vida também, você tem que ter respeito, se colocar no lugar do outro e sempre pesar na balança o que é mais importante. Pra mim, o mais importante é a verdade sempre.

Obrigado pela entrevista, Sabrina! :)

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

RG ENTREVISTA #07: FLÁVIO BARRA


Falar de um amigo é complicado, principalmente do calibre desta pessoa. E eu não sei vocês, mas eu acredito em destino. Creio que as pessoas são predestinadas, que tem uma missão para cumprir aqui na Terra. Às vezes, essa missão pode nascer ainda no berço. Foi o que aconteceu com essa personalidade que hoje está aqui no nosso #RGEntrevista. Ele é paraense de Belém, filho de jornalista, e desde pequeno sabia o que queria ser, e engana-se quem achava que era comunicador de televisão. Ele queria ser jogador de futebol. Mas o destino - olha só - fez com que ele optasse pela profissão de seu patriarca. Resultado: se apegou às lentes das câmeras, evoluiu e, ao "se arriscar" quando veio para Recife, comandou dois programas de auditório de sucesso, o que lhe rendeu o título de Cidadão Pernambucano. Casou-se com Sabrina Rocha, também jornalista, e é pai do Fábio e da pequena Maria (a sua loucura, como costuma dizer). Hoje, ele é âncora e editor-chefe de um telejornal que possui a vice-liderança isolada de audiência em Pernambuco: o Jornal da Clube. Prestes a completar 20 anos de carreira em 2014, não há dúvidas de que Flávio Barra é exemplo singular de talento, profissionalismo, dedicação e, acima de tudo, destinado a ter a televisão como parte de sua vida.


RG na TV: Sua identificação com o jornalismo podemos dizer que está no sangue. Seu pai, Guilherme Barra, é um grande jornalista paraense, desde pequeno você frequentava as redações e gostava até “de ver o jornal rodar”. Soube também que chegou a vender jornais quando criança para ter a sua independência financeira. Em que momento você descobriu que era hora de correr atrás de seu lugar no mundo da comunicação?
Flávio Barra: Quando descobri que não podia ser jogador de futebol... (risos) Ou seja, bem cedo. Na realidade sempre fui louco por futebol e TV e tinha que aliar essas duas coisas. O jornalismo esportivo foi um caminho natural pela influência em casa, com o meu pai, e pelas minhas paixões. Fui levado a um caminho sem volta, ainda bem.

RG: Sua formação em jornalismo foi na Universidade Federal do Pará, quando ingressou em 1994. Foi ainda na faculdade que você começou a se aproximar da televisão ou já era uma vontade sua?
Flávio: Como eu disse, sempre foi um desejo gigante fazer TV e tive muita sorte. Logo no primeiro semestre da faculdade eu consegui um estágio na TV RBA/Band, em Belém, na editoria de esportes. Era tudo o que eu queria. A partir daí, televisão virou minha casa. Agora que me toquei que nesse ano que está chegando vou fazer 20 anos de carreira... Putz, como tô véio! (risos)

RG: Seu primeiro programa de TV foi ainda em Belém, numa emissora local. O que mudou no Flávio que comandava seu primeiro programa para o atual âncora do Jornal da Clube?
Flávio: Ave Maria... mudou tudo! Não dá pra resumir assim. A vida ensina a gente. Muita gente contribui para a sua formação, e o resultado de um profissional vai muito além do esforço próprio. Mas a principal mudança com certeza é a percepção da dimensão da responsabilidade de comandar outros profissionais e um noticiário. O poder de decisão é sedutor e extremamente perigoso. Quando se é muito jovem você não pensa, só quer chegar lá.

Flávio Barra apresentou o vespertino Tribuna Show.

RG: Você chegou em Recife no dia 07 de dezembro de 2000, disposto a conseguir mais espaço na telinha. Acabou comandando dois programas de auditório (“Muito Mais”, na TV Jornal e “Tribuna Show”, na TV Tribuna), ambos sucessos de audiência. Você sente falta de trabalhar na área do entretenimento ou esse ciclo já se encerrou na sua carreira?
Flávio: Em TV nada é definitivo, os ciclos se renovam. Claro que isso depende de uma série de coisas, entre elas, de uma decisão própria. Nesse momento não quero voltar a fazer programas de entretenimento. O auditório me fez descobrir um talento que não sabia que tinha e essa versatilidade só me ajuda, por isso que não posso dizer que nunca mais faria. O que posso afirmar categoricamente é que hoje eu não mudaria nada do que está acontecendo em minha carreira. Estou muito, muito feliz!

RG: Em agosto de 2006 você ganhou o título de Cidadão Pernambucano na Assembleia Legislativa de Pernambuco. O que isso representou na sua vida pessoal e profissional?
Flávio: Depois do nascimento dos meus filhos, foi a maior emoção da minha vida. Uma honra sem tamanho. Não dá para explicar.

RG: Foi no ano de 2010 que você passou a trabalhar diretamente com o jornalismo pernambucano ao se tornar um dos âncoras do telejornal Cotidiano, na TV Tribuna. O que foi mais desafiador: trabalhar na redação e apresentação de um jornal diário ou mostrar para os telespectadores um Flávio Barra “mais sério”?
Flávio: Cara, só foi mais um desafio. Não fiz nada do que eu já não tivesse feito antes. O maior desafio na realidade foi apresentar programa de auditório. Voltar para o que eu já tinha vivido em Belém, foi muito tranquilo. A diferença hoje é o comando, a gestão de pessoas. Nunca trabalho pra mostrar ao público o que eu sou ou consigo fazer. Eu apenas trabalho, cumpro com minhas obrigações, amo o que eu faço e só por isso, eu faço. Sou um rato de televisão e um cavalo para trabalhar em qualquer área desse meio de comunicação. Imagino o que passava na cabeça dos telespectadores nessa fase de transição da minha carreira, mas isso não foi decisivo pra mim.

Flávio Barra e Isly Viana na época do "Cotidiano", na TV Tribuna.

RG: Desde que você se tornou âncora de telejornal aqui no estado, a sua bancada sempre foi dividida com grandes jornalistas do nosso estado: Camila Maciel, Júlia de Castro, Isly Viana e, atualmente, Nadya Alencar. O que você aprendeu com elas? Já cogitou apresentar algo sozinho?
Flávio: Não penso em apresentar um telejornal sozinho. Pelo menos isso não passa pela minha cabeça agora. Dividir a bancada com uma outra pessoa eu acho ideal para esse formato de jornal. Todas essas maravilhosas profissionais que você citou, foram e são importantíssimas pra mim e lógico que o aprendizado é diário. Júlia de Castro mostra a cada dia o quanto é talentosa, linda e versátil. Um potencial maravilhoso. Minha amiga Camila Maciel é incrível, uma repórter sensacional. Na bancada é puro charme. Isly Viana é uma jornalista completa e até hoje tenho o prazer de trabalhar com ela. São três anos de aulas diárias e muita admiração. A mulher não desliga, pô! (risos). Devo muito a ela, muito mesmo, inclusive a oportunidade de estar aqui na TV Clube. Ela comprou a briga pela minha vinda pra cá. É responsável por isso. Isly é dona do meu passe! Só faço o que ela manda! (risos) Amo a pessoa e a profissional que Isly é. Sou fã dela. Nos tornamos grandes amigos e tenho muito orgulho disso. E até vir pra TV Clube, não conhecia a Nadya. Pensei que fosse impossível, mas ela é mais bonita pessoalmente. Por dentro ela é linda, uma grande parceira de trabalho. Na bancada o que mais admiro é o poder de improviso dela. É inacreditável a calma e a velocidade com que ela elabora textos longos e fala como se tivesse tudo escrito. Impressionante! São todas grandes mulheres.

RG: Mais que levar informação com qualidade para o telespectador, sei que você também tem um grande fraco por esportes. Pode falar um pouco sobre essa paixão?
Flávio: Como disse no início da entrevista, sou alucinado por esportes. Paixão não se explica, né?! Creio que pelo fato de ter sido atleta talvez. Pratiquei natação, capoeira, basquete muito tempo e sempre amei futebol. O esporte é fundamental na minha vida.

RG: Além do jornalismo esportivo, existe um Flávio Barra apaixonado por música. Você já teve alguns projetos musicais reconhecidos pelo público pernambucano. Há alguma novidade nesse sentido vindo por aí?
Flávio: Sim, sim... (risos) outro vício! Tem um projeto sim, mas como a música se trata, hoje, de um hobby, não sei exatamente quando vai rolar. Quero gravar umas coisas próprias e com parceiros, mas isso vai levar um tempo pra acontecer. Por enquanto estou só caneando com os amigos. No carnaval, a convite do meu grande amigo, o percussionista Mauricinho Luz, vou participar de alguns arrastões com o Fábrica de Samba, em Olinda. Serão 30 percussionistas nas ladeiras. Vou cantar com outros convidados um repertório bem legal.

Flávio Barra apresenta o Jornal da Clube junto com Nadya Alencar.

RG: Desde janeiro deste ano você comanda o Jornal da Clube ao lado de Nadya Alencar, na TV Clube/Record. E mais que apresentar, ainda exerce o cargo de editor-chefe do telejornal. Em entrevistas da época, você colocou que gostaria de contribuir ainda mais para um crescimento da atração, que já tinha uma vice-liderança isolada de audiência. Fechando este primeiro ano, você acha que essa promessa vem sido cumprida? O que podemos esperar do Jornal da Clube em 2014?
Flávio: Graças a Deus, a vice-liderança está consolidada. O crescimento do Jornal da Clube foi acima do esperado pra este ano. Conseguimos bater recordes históricos do horário e da emissora. Em 2014 o que pode se esperar é mais crescimento, temos espaço pra isso. Ainda tem muita gente pra conquistar. Com a seriedade, compromisso do nosso trabalho e a forma que a gente propõe na hora de transmitir a notícia isso fatalmente vai acontecer. Tenho fé.


Não tinha maneira melhor de fechar o ano de 2013 com uma das melhores entrevistas desse blog até hoje. Obrigado, Flávio! =)

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

RG ENTREVISTA #06: ELIANA VICTÓRIO

O que é necessário para se tornar um bom jornalista? Talento? Dedicação? Profissionalismo? Simpatia? Tudo isso junto? Assim como não há uma fórmula pronta de um jornalista perfeito, também será difícil manter uma carreira de sucesso na televisão se você não tiver AMOR por ela.
Apesar de eu usar uma palavra abstrata para definir essa árdua profissão, basta apenas lembrar de um nome próprio e composto para exemplificá-la concretamente. E se chama Eliana Victório.
Dona de uma elegância, humildade e competência singulares, Eliana apresenta, edita, produz, emociona, ensina e, principalmente: informa os seus telespectadores.
Como se não bastassem tamanhos atributos, esta jornalista é amplamente reconhecida por títulos e prêmios, regionais e nacionais, pelo brilhante trabalho que executa. E é exatamente por isso que agradeço muito por ela ter cedido parte de seu concorrido tempo na TV Tribuna para estar aqui, no #RGEntrevista.

RG na TV: Poderia nos falar um pouco sobre como foi a sua escolha pela profissão de jornalista? E como foi a sua formação na Universidade Estadual de Londrina, no Paraná?
Eliana Victório: Foi assistindo a uma novela na televisão, “Estupido Cupido - 1976/1977”, que descobri a profissão que queria seguir. No último capítulo um dos personagens deixa a cidade pequena e vai para a capital, e começa a trabalhar num jornal. Ele termina a participação na novela entrevistando uma pessoa. Nas mãos tinha um gravador, uma caneta e um bloco. Na época eu não fazia ideia do que era ser jornalista, mas gostei do que ele estava fazendo e decidi que iria fazer o mesmo, que queria entrevistar as pessoas e escrever. E hoje estou aqui. E a cidade de Londrina foi um presente na minha vida. Aos 18 anos deixei a casa de meus pais para morar num outro Estado. Foram 4 anos e meio maravilhosos. Fiz pesquisa na área de comunicação rural, mas sempre quis trabalhar em televisão. Pelo meu desempenho durante a Faculdade, antes que o curso chegasse ao fim, fui indicada pelo departamento de Comunicação Social da UEL, para trabalhar numa emissora de TV em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. E aceitei. Passei um ano na TV Morena, afiliada da Rede Globo.

RG: Da conclusão do seu curso até hoje, somam 28 anos. E antes de chegar ao Recife, você passou por veículos em Campinas, Ribeirão Preto e Mato Grosso do Sul. Existe alguma grande diferença das emissoras de TV do sul e do nordeste?
Eliana: Sempre existe alguma diferença, seja ela na estrutura de equipes ou na produção local, principalmente porque passei por várias regiões. Na época em que trabalhei no Mato Grosso do Sul, existia o Jornal da dez da noite, e que depois foi abolido, sem falar que tínhamos a diferença de fuso horário, uma hora a mais. Já em Campinas, a região é muito industrial e o esporte amador e profissional tem peso, daí um tempo maior é dedicado, ou pelo menos era, a esses setores. Em Ribeirão Preto pude me dedicar mais as matérias da área rural. Depois veio o nordeste. A diferença como disse no início, está no tamanho das equipes.

RG: Antes de se destacar na TV Tribuna, você trabalhou em outras emissoras de Pernambuco. Entre elas, a TV Jornal, afiliada do SBT. E durante o período nesta casa você esteve na companhia da apresentadora Graça Araújo, a quem você até substituiu algumas vezes. A pergunta que não quer calar (que sempre quis fazer, na verdade!): muitas pessoas chegavam a confundir vocês, por serem parecidas em vários sentidos. Isso te incomodou alguma vez? Qual a sua relação com ela hoje em dia?
Eliana: Graça Araújo é uma grande amiga, e sempre que possível nos falamos. Quanto ao fato das pessoas nos confundirem, no começo me perguntava, por que, pois somos bem diferentes. Depois fui levando na boa. Nunca fiquei aborrecida por causa disso.

Na TV Tribuna, Eliana apresenta o semanal "Ponto de Vista".

RG: São 5 anos de trabalho na TV Tribuna, afiliada da Band. Lá, você ocupa os cargos de apresentadora, editora e repórter especial. Qual desses três cargos exige mais de você?
Eliana: Não dá pra dizer qual exige mais, pois as três funções são bem diferentes, e quando abraço algo levo muito a sério e me dedico de verdade. A arte de entrevistar não é fácil, exige informação, disciplina e comando. Fazer reportagens especiais, além dos atributos anteriormente citados, requer pesquisa e conhecimento; e coordenar a edição é tudo isso associada a responsabilidade de colocar o programa no ar.

RG: Como apresentadora nesta casa, você foi âncora do “Cotidiano” e agora apresenta o semanal “Ponto de Vista”. Seu atual programa traz entrevistas de grande interesse para o público pernambucano e tem se destacado na programação local com audiência relevante. Fala um pouco do sucesso do programa e qual a edição mais interessante que já foi exibido.
Eliana: Adoro fazer o programa Ponto de Vista. É um espaço maravilhoso onde podemos aprofundar os temas e levar informação a população. Sempre digo que a informação é a base de tudo. É difícil falar qual programa ou tema me marcou, pois sempre escolhemos temas de interesse da população e temas que são escolhidos, indicados pelos telespectadores. Gosto de temas na área da saúde, pois as pessoas são carentes de informação. Gostei de falar sobre a PEC das empregadas, sobre a municipalização do ensino, sobre Marketing Multinível, e espero continuar no caminho certo, não o do sucesso, mas o de ir ao encontro das necessidades do meu público.

RG: O “Ronda Geral” tem você como editora-chefe do telejornal. Conta um pouco da rotina agitada de como é colocar um programa policial diariamente no ar.
Eliana: Não é fácil. As manhãs são sempre corridas e atarefadas. Mas eu gosto. Diria a vocês que requer dedicação, disciplina, informação, profissionalismo, ética e respeito.

Eliana comemora o Prêmio Cristina Tavares pela série "Liberdade Aprisionada".

RG: Seu trabalho como repórter especial é muito eficiente e, principalmente, muito reconhecido. Com reportagens carregadas de informação e emoção, você já conseguiu vários prêmios locais e nacionais. Recentemente, a série “Liberdade Aprisionada” ganhou o Prêmio Cristina Tavares aqui em Pernambuco e a menção honrosa no Prêmio Vladmir Herzog, a premiação máxima do jornalismo nacional. Fala um pouco dos bastidores desse trabalho e como foi receber esses reconhecimentos.
Eliana: Liberdade Aprisionada foi feita a quase dois anos, mas infelizmente ainda retrata a realidade do nosso sistema prisional. Gravamos quase 10 horas de entrevistas e imagens; tivemos um mês para produzir, executar, editar e finalmente exibir a série no Jornal da Tribuna. Enfrentamos muitas dificuldades, como acesso aos presídios e as informações e algumas vezes até dificuldades técnicas. Mas sou uma pessoa que gosta de desafios, e o resultado são os prêmios. E é algo maravilhoso quando o seu trabalho é reconhecido, avaliado, premiado e aplaudido.

(Para assistir a série "Liberdade Aprisionada" completa, clique aqui.)

RG: Ano passado, quando trabalhamos juntos, eu acompanhei a sua série de reportagens “São João do Gonzagão”, onde você viajou sertão pernambucano a dentro para contar a história de Luiz Gonzaga ligando à realidade do povo daquela região hoje em dia. Mais do que sua profissão exigia, essa série tem um significado especial pra você, não é verdade?
Eliana: A série São João do Gonzagão fez parte de um projeto maior, que é o “Tribuna, Forró e Tradição”, programa junino que neste ano teve sua segunda edição. A série foi o começo de tudo, o pontapé inicial, e mesmo com todas as dificuldades de tempo e até mesmo de estrutura, te digo cheia de orgulho: ARRASAMOS! Os programas tiveram e vão continuar tendo produção de alta qualidade.

Eliana: "O jornalista não é o dono da verdade, nem o senhor dos fatos. 
[...] Ser jornalista vai além."

RG: Você chegou ao Recife no ano de 1992. E em agosto deste ano você recebeu o título de Cidadã Recifense. Conta um pouco do que esse reconhecimento significou pra você, pessoal e profissionalmente.
Eliana: O título foi um super presente que a cidade do Recife me deu. Nunca pensei em receber, mas vou repetir o que falei em meu discurso: “O Recife me recebeu de braços abertos, e como fui ensinada pelos meus pais, honrei e venho honrando todo o carinho que recebi até hoje. Carinho das pessoas que mesmo sem saber quem sou, passaram a me respeitar, a admirar meu trabalho, e de longe ou perto a aplaudir. E o melhor, sem pedir nada em troca, a não ser compromisso, profissionalismo, seriedade e a verdade. Obrigada às Marias, às Severinas, aos Joãos, aos Josés.”

RG: Além de humildade e profissionalismo, características que você tem de sobra, o que mais é preciso para ser um grande jornalista, na sua opinião?
Eliana: Obrigada pelo carinho, meu amigo. O jornalista não é o dono da verdade, nem o senhor dos fatos. Para saber escrever é preciso ler, e ler bons livros, jornais e revistas e estar informado. Mas ser jornalista, vai além. É preciso ética, compromisso com a verdade e acima de tudo respeito, com a população, os entrevistados e consigo mesmo.

Entrevista incrível! Obrigado, Eliana! 

sábado, 17 de agosto de 2013

RG ENTREVISTA #05: EDUARDO MOURA

Longe de Pernambuco, mas não longe das telinhas, o jornalista Eduardo Moura fala sobre a sua carreira e a nova fase como apresentador na Paraíba.

Edu e eu no meu último dia de estágio na Tribuna.
   Ser jornalista não é fácil. Ser jornalista de televisão é mais difícil ainda. Ficar exposto pelas câmeras e tentar distanciar o profissional do pessoal diante de certas notícias é uma tarefa árdua e diária a cumprir. Uns separam o joio do trigo com maestria (e isso é admirável!), outros preferem dar “cara à tapa” e mostrar quem realmente são, seja antes do “3,2,1” ou depois dos créditos finais. É o que chamam “ser autêntico”. Se a autenticidade na TV depende, então, de externar as emoções para o telespectador logo após que se está “no ar”, então o #RGEntrevista trouxe a pessoa certa para bater um papo com seus leitores: o jornalista Eduardo Moura.
   Longe das telinhas pernambucanas após comandar o “Ronda Geral”, na TV Tribuna/Band, “Dudinha” (ser estagiário do programa dele por seis meses me deu liberdade para isso) conta pra gente um pouco de sua trajetória profissional, a paixão pelos esportes, os futuros projetos e, claro, a sua nova fase como apresentador do “Aqui na Clube”, na TV Clube Paraíba.

RG na TV: De onde veio a sua vontade de ser jornalista?
Eduardo Moura: Foi engraçado. Estava estudando para fazer medicina, na verdade. Na hora da inscrição no vestibular da Católica, quando a gente recebe aquele folder, vi uma foto do estúdio de TV, a apresentação de um jornal. Naquele momento, mudei de ideia, e me inscrevi em Jornalismo.

RG: Quem são as suas referências na profissão?
Eduardo: De pessoas? Algumas. Ana Menezes, por exemplo. Foi minha madrinha profissional, quem apostou em mim quando ainda estava no primeiro período. Como comecei em esportes, Luciano do Valle foi uma referência também. Hoje em dia tenho muitas outras, depende da área.

RG: Você começou como estagiário na TV Guararapes (atual TV Clube/Record). Como foi a sua trajetória até chegar na TV Tribuna?
Eduardo: Pois é, faz tempo... Tô velho! Comecei na Guararapes como produtor no programa de Pedro Paulo. Três meses depois, Ana Menezes assumiu o jornalismo e me chamou para fazer um teste para estagiário. Foi duro! Eu, no segundo período, contra 8 candidatos do sétimo e oitavo períodos. Acho que o teste de vídeo me ajudou, mas Ana me pegou pelo braço, com certeza. Me deu a chance acreditando que cresceria. Foram dois anos e meio como estagiário, seis meses a mais do que o tempo permitido. Nesse tempo fiz de tudo, produção de reportagens, edição, vivos... foi minha faculdade. Depois disso, em 2003, fui contratado para ser repórter esportivo, no jornal comandado por Ralph de Carvalho e Leonardo Bóris. Depois morei nos Estados Unidos por dois anos. Na volta, tive outros padrinhos: Álvaro Filho, professor da Católica, me indicou para seu lugar comentando futebol com Roberto Nascimento, que me recebeu de braços abertos. Passei 2005 comentando futebol no Canal 9, antiga Guararapes, e como repórter na Folha de Pernambuco. No fim do ano, Rejane Modesto, produtora da TV Tribuna, me falou sobre os testes na TV. Em 2006, entrei na Tribuna.

Eduardo Moura permaneceu na Tribuna por 7 anos.

RG: Apesar de você ser reconhecido no jornalismo policial, sei que você tem uma queda pela área de esportes. É verdade?
Eduardo: Sempre fiz esportes. Além de praticar quase todos, meu início na TV foi em esportes. Quando morei nos EUA fiz cursos em esportes. Então, até entrar na área policial, minha especialidade era esportes. Até hoje gosto muito.

RG: Antes de apresentar o Ronda Geral, na TV Tribuna, você também foi repórter. Apresentar o programa é mais fácil ou difícil em relação a fazer matérias?
Eduardo: Cada um tem suas facilidades e dificuldades. Mas com certeza, a responsabilidade de apresentar um programa como o Ronda é muito grande. Claro, se você se preocupa em fazer certo.

RG: Você ficou marcado no Ronda Geral pela irreverência, mas também por momentos de exaltação, e até emoção diante de algumas notícias, chegando a ser hospitalizado após o término de algumas edições. Até que ponto esses sentimentos são controlados por você? É importante levar isso para o público?
Eduardo: Sou uma pessoa intensa. Em tudo. Se estou alegre, estou muito alegre, triste, muito triste, revoltado, muito revoltado, e por aí vai. Sempre defendi a transparência. Nós não somos robôs. Somos iguais ao telespectador, e ele quer ver isso: essa transparência, essa verdade. Sempre fui espontâneo em tudo. Sou a mesma pessoa dentro e fora do estúdio. Não atuo. E acho que o público merece isso, a verdade.

"Somos iguais ao telespectador, e ele quer ver isso: essa transparência, essa verdade." (Eduardo Moura)

RG: Esse ano você participou do Band Folia, uma cobertura de carnaval a nível nacional e internacional...
Eduardo: É verdade! Esse ano e no ano passado. Tive o prazer de participar de uma transmissão internacional pela Band. E como pernambucano tenho que dizer: FOI MASSA!

RG: Se pudesse definir a sua carreira de jornalista em um momento (reportagem, programa), qual seria?
Eduardo: Não consigo definir assim, em um momento. Mas posso definir o que quero. Sabe, quando uma pessoa me aborda na rua e diz que aquele comentário ou crítica que fiz surtiu efeito, que a rua foi asfaltada, que o problema foi sanado, que a vida daquela pessoa melhorou... Esse é o melhor momento de todos. Quero fazer isso sempre.

RG: Como foi a estreia e como anda o seu trabalho na apresentação do "Aqui na Clube", da TV Clube Paraíba? 
Eduardo: A estreia não poderia ser melhor! O novo programa realmente mexeu com a Paraíba, e isso ficou muito claro logo no primeiro dia. A participação do público foi sem precedentes no estado. Pra se ter uma ideia, a página do programa no Facebook tinha pouco mais de mil acessos. Nesse dia, teve mais de 9 mil! Número que, com poucas variações, se mantém até hoje. Já o meu trabalho é basicamente o mesmo que fazia a frente do Ronda. Chego cedo, participo da edição, produção e faço reportagens. Mas com uma grande diferença: tenho liberdade para criar e executar ideias trabalhadas junto à equipe. Uma diferença grande do que vinha acontecendo no Ronda (não por causa da equipe). O resultado é um programa policial completo, com polícia, denúncia e críticas. Inclusive aquelas ao poderosos, sabe? E aqueles quadros que deram certo e foram tirados, lembra? Pois é, tão bombando por aqui! (risos)

No "Aqui na Clube", Eduardo Moura recebe convidados musicais.

RG: Para encerrar, deixe um recado para os fãs pernambucanos que querem ver você de novo na telinha do nosso estado.
Eduardo: Gente, morro de saudades! De vocês e dos profissionais super competentes que deixei por aí. Gente de coração bom, honesto, meus amigos, como o pai deste blog. Sinto muita falta deles e de vocês. Mas aguardem, porque pode vir surpresa por aí, viu? Será que volto? (risos)

Huuummm... Será que ela volta? O que eu sei é que na Paraíba, em Pernambuco, em qualquer lugar, o sucesso andará sempre com ele! Já estamos na expectativa de um retorno em breve, Edu! Obrigado pela entrevista. =)