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RG RELEMBRA #05: A ESCRAVA ISAURA (RECORD - 2004/2005)

sexta-feira, 14 de junho de 2013
A novela que marcou a retomada da teledramaturgia da Record ficou marcada como uma das melhores da emissora.

A Record apostou em uma nova versão de um sucesso da Globo.

   Baseada na obra literária homônima escrita por Bernardo Guimarães, foi no ano de 2004 que a Rede Record voltou a investir na produção própria de novelas com “A Escrava Isaura”. A trama antecessora, “Metamorphoses”, tinha saído como um fiasco na época, mas era uma produção terceirizada. Apesar de ser uma novidade, o folhetim tinha um quê de remake (regravação), já que há exatos 28 anos naquela época, a Rede Globo havia feito a sua versão para o romance, que foi adaptado por Gilberto Braga. Na versão dos anos 2000, quem assinou o texto foi Tiago Santiago e Anamaria Nunes, com colaboração de Altenir Silva. A novela estreou no dia 18 de outubro no horário das sete da noite.
   A versão global é um grande marco na teledramaturgia brasileira, mas a Record teve o cuidado de diferenciá-las ao máximo. Para isso, fez questão de divulgar que a versão deles seria mais fiel ao livro de Bernardo Guimarães, o que não aconteceu exatamente com a novela escrita por Gilberto Braga. Mas ainda sim, o diretor da trama da Record foi o mesmo que dirigiu a trama na Globo nos anos 70, Herval Rossano.

Bianca Rinaldi na pele de Isaura.

   Na sinopse, a novela conta a história de Isaura (Bianca Rinaldi), que nasceu em 1835, na fazenda do comendador Almeida (Rubens de Falco), em Campos dos Goitacazes, no Rio de Janeiro. Ela é filha da bela Juliana (Valquíria Ribeiro), escrava do comendador, e do feitor da fazenda, Miguel (Jackson Antunes). Juliana morre pouco depois do parto e Isaura é educada e criada por Gertrudes (Norma Blum), mulher do comendador, que sempre quis ter uma filha. Apesar da excelente educação e de ter a pele clara, Isaura é escrava do comendador, por ter nascido filha de sua escrava.
   Em 1854, Isaura tem 19 anos e é uma bela casta donzela. Tudo se complica na vida dela quando volta para a fazenda o jovem senhor Leôncio (Leopoldo Pacheco), filho do comendador, que desenvolve uma paixão louca pela escrava. Leôncio é obrigado a se casar com Malvina (Maria Ribeiro), filha do rico coronel Sebastião Cunha (Paulo Figueirêdo), mas mesmo assim tenta seduzir Isaura, querendo que ela seja sua amante. Entretanto, todas as tentativas e propostas de Leôncio são sempre rechaçadas pela escrava branca.


Leopoldo Pacheco fez o Brasil ter raiva do "crápula do Leôncio".

   Gertrudes sempre tem muita vontade de dar a liberdade à sua querida Isaura, mas morre antes de conseguir realizar este objetivo. Pouco depois da morte de Gertrudes, o comendador Almeida também morre. Leôncio queima o testamento onde ele deixava a alforria para Isaura e torna-se assim o dono da escrava. A vida de Isaura se transforma num inferno.
   Para fugir das investidas e ameaças de Leôncio, Isaura foge com seu pai e assume a identidade de Elvira. Numa chácara perto de São Paulo, vive um novo amor com o abolicionista Álvaro (Théo Becker). Mas numa festa de gala, Isaura é desmascarada. Mais sofrimento vem pela frente até Álvaro descobrir que Leôncio está falido. Leôncio, então, perde tudo para Álvaro e acaba assassinado.
   Além dos personagens principais – com as atuações formidáveis de Bianca Rinaldi e Leopoldo Pacheco, tido como revelação do ano de 2004 –, destaco três coadjuvantes deixaram a sua marca na novela. São eles: Éwerton de Castro, Patrícia França e Mayara Magri. Éwerton foi impecável na pele do horrendo Belchior. Patrícia dispensa comentários, pois ela preencheu a tela com propriedade e divertiu bastante vivendo a ambiciosa escrava Rosa. Já Mayara Magri encantou como Tomásia. Era impossível não vibrar quando ela enchia a boca para falar o seu bordão: “o crápula do Leôncio”.

Lucélia Santos (1976) e Bianca Rinaldi (2004): as escravas Isauras

   Para viver Isaura, a ex-paquita (e loira) Bianca Rinaldi, usou lentes de contato castanhas e cabelos escuros, ficando muito semelhante à atriz Lucélia Santos, que fez o mesmo papel na Globo. Cada um dos capítulos dessa nova versão custaram cerca de R$150 mil.
   Uma das curiosidades da trama da Record é que não foi apenas o diretor que participou da primeira versão da novela na Globo em 1976. Os atores Rubens de Falco e Norma Blum também estavam lá. Rubens fez o Leôncio na época, e Norma interpretou Malvina. Outro ponto em que as duas se igualaram foi na abertura. Ambas usaram as imagens de Debret, artista que pintou a escravidão brasileira da época. A música “Retirantes”, composta por Dorival Caymmi e Jorge Amado – mais conhecida por todos pelo “lerê, lerê” – também esteve nos dois folhetins, mas a Globo a usou na abertura e a Record, como trilha sonora para o tema dos escravos. O CD lançado com as músicas da novela continha 12 músicas e, além de “Retirantes”, canções como “Luz do Sol Que Clareia a Terra” (tema de abertura), “Nem Às Paredes Confesso” (interpretada por Fafá de Belém) e Jardim da Fantasia” (do ator da novela Jackson Antunes) davam mais beleza à trama. Mas o maior sucesso musical do folhetim foi a canção “Sinônimos”, cantada por Chitãozinho & Xororó e Zé Ramalho. Esta música embalava o casal Isaura e Álvaro e foi um dos grandes hits radiofônicos da época. (mate a saudade dessa linda música na parte direita superior do nosso blog)

O CD da novela foi sucesso de vendas.

   A trama caiu nas graças do grande público e trouxe uma audiência considerável para a Record. “A Escrava Isaura” aproveitava a má fase do horário das sete na Globo, que exibia o fiasco “Começar de Novo”. Por causa disso, volta e meia conquistava o segundo lugar na audiência, batendo o SBT, que costumava ser vice-líder. Nos seis meses que ficou no ar o folhetim registrou 12,8 pontos de média geral e 20,6% de share, o que significa que de 100 televisores ligados no horário, 20,6 estavam sintonizados na emissora dos bispos.
   A novela chegou ao fim no dia 30 de abril de 2005 com uma audiência invejável além-Globo: média de 19 pontos e picos de 23. Vale lembrar que o êxito da trama superou a previsão inicial de ter 100 capítulos, assim como a Globo fez, e subiu para 140, e logo após, mais 27, encerrando então com 167 capítulos ao todo. Tiago Santiago ainda conseguiu instigar o público criando um “Quem matou Leôncio?”, chegando a gravar vários finais para o último capítulo. E nesta primeira exibição, o capataz de Leôncio, Seu Chico (Jonas Mello) foi o assassino. (Assista o final dele aqui)
   O sucesso da trama foi tamanho que, a exemplo da versão feita com Lucélia Santos na Globo, outros países queriam exibir o folhetim da Record. Após o fim da novela, Bianca Rinaldi começou um tour pelo mundo para lançar a história nos lugares para onde foi vendida. A primeira parada foi Venezuela. Depois a atriz divulgou a novela em Portugal, Índia, Paraguai, Colômbia, Uruguai, Argentina e Chile, que aliás, já foi até reprisada pelo tamanho sucesso em terras chilenas.


Sucesso internacional: Veja como é a dublagem da novela em espanhol.

   Aqui no Brasil, “A Escrava Isaura” também já foi reprisada. A primeira foi ainda em 2005, oito meses após o encerramento da novela. E usando os finais alternativos gravados, no segundo “Quem matou Leôncio?” descobrimos que foi a Rosa, em junho de 2006 (veja o final dela aqui). A segunda reprise aconteceu em 2007, de forma compacta, sem surpresas no final.
   “A Escrava Isaura” deixa saudades pela beleza da trama e o grande envolvimento do elenco, que nos brindou com brilhantes atuações. A boa fotografia e trilha sonora também impressionavam a cada capítulo. A Record se orgulha até hoje pelo êxito dessa novela, que fez com que a emissora investisse mais em teledramaturgia, e conseguisse emplacar alguns outros sucessos no gênero nos anos seguintes. Mas “A Escrava Isaura” é, na minha opinião, a melhor novela desta emissora até hoje. #saudades

BÔNUS DO RG: Reveja a abertura completa da novela, exibida apenas nos primeiros capítulos, mas que depois foi cortada ao longo da exibição para menos de 1 minuto:



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