O #RGnaTV acompanhou a estreia da novela “Máscaras”, na última terça, na Record. Mas as primeiras impressões não foram boas.
"Máscaras": começou bem, terminou muito mal.
Não sou formado em telenovelas, mas carrego uma teoria interessante que é partilhada por muitas pessoas que gostam desse tipo de programa: “novela boa a gente conhece no primeiro capítulo”. Se é a primeira impressão é a que fica, o primeiro capítulo é essencial para termos amor (ou repulsa) para se prender à trama. E foi o sentimento contrário do gostar que senti assim que assisti o primeiro capítulo de “Máscaras” - de Lauro César Muniz -, a nova novela das 22h da Record.
Não é preciso ser formado na área de teledramaturgia para se ter uma outra certeza: se tratando de novelas, a Globo ainda é superior à concorrência. A prova disso é que a Record – e outras emissoras – esperam (mesmo!) a novela das 9 da emissora do plim-plim terminar o seu capítulo diário para, enfim, colocar o seu “produto diferencial”. Não é a toa que, assim que terminou o capítulo de “Avenida Brasil” - que, aliás, está tendo uma ótima repercussão -, ao mudarmos imediatamente para o “canal dos bispos”, começava exatamente a estreia do folhetim.
Eles resolveram colocar a abertura de cara, já que aquele capítulo não teria intervalos. E aí veio uma boa surpresa: Fagner cantando “Porto Solidão”, sucesso de Jessé, que é uma música lindíssima, enquanto diversas máscaras ilustravam, de forma muito bonita, a sua chamada de atores, autores e direção da novela. Ponto positivo.
Dia lindo ao som de "Blue Moon"... Oi?
Após o fim daquela abertura, somos levados para um navio luxuosíssimo ao som de “Blue Moon” (embora a paisagem da novela estar ABSURDAMENTE ENSOLARADA!). Tirando a gafe na trilha sonora, deve-se dar nota 10 para a escolha certeira do navio, que deu à trama cenários, internos e externos, maravilhosos.
Se tem um nome para definir todo o primeiro capítulo, esse nome é um substantivo próprio: Maria. A personagem – e protagonista – de Miriam Freeland deu um show de atuação ao conhecermos a mocinha numa situação de sofrimento extremo ao estar “recém-curada” de uma Depressão Pós-Parto. A instabilidade emocional da personagem, que nos despertava pena e raiva ao mesmo tempo, foi interpretada de forma muito segura pela Miriam. Mais um ponto positivo.
Se a mocinha nos cativava, o mocinho nem tanto. O Otávio, personagem de Fernando Pavão, além de ser desconhecido do grande público não disse ao que veio, apesar das muitas cenas fortes logo no primeiro capítulo. Se ninguém conhecia o personagem Otávio, muitos identificaram as primeiras (e boas aparições) de Heitor Martinez e Gisele Itié, que na novela “estavam em Nova Iorque” apesar de não ter nenhuma cena externa. Como se ninguém soubesse que aquele quarto de hotel era mesmo no RECNOV (Record Novelas, a imitação do PROJAC, da Rede Globo).
Em "Máscaras", mocinha dá show e mocinho dá sono.
Chamou a atenção o fato do telespectador não saber em que ano se passava a história, até Maria conversar por celular com Martim nos “EUA” – personagem de Heitor Martinez – sobre a possível eleição de Dilma para a presidência do Brasil, inferindo então que estávamos no ano de 2010.
Logo nas primeiras cenas era possível enxergar um triângulo amoroso entre Maria, Otávio e o médico Décio, interpretado por Petrônio Gontijo, que aliás, foi outro ator que falhou um pouco em sua interpretação, com expressões faciais fora de contexto.
Fora do eixo Maria, conhecemos a psicanalista Tônia, que tinha uma “irmã” chamada Luma, personagem de Karen Junqueira, que moram juntas, e se dão muito bem, mas logo nas primeiras cenas brigam pelos ciúmes de Tônia, que põe um “namoradinho” de Luma para correr após tentar seduzí-lo. Proteção demais ou Tônia sente algo mais por Luma? Deu essa impressão...
Como o primeiro capítulo girou muito em torno de Maria, não conhecemos o restante do elenco, o que achei uma tremenda bola fora de Lauro César. Conhecer todos os núcleos (ou a maioria deles) no primeiro capítulo são importantes para prender mais o telespectador e apresentar suas histórias. Nomes fortes do elenco como Luisa Tomé e Paloma Duarte não deram as caras nessa estreia.
Maria (a louca! rs...) surta no primeiro capítulo de "Máscaras".
Um dos ápices desse capítulo número um foi o grande “surto” de Maria, que escapa dos braços de Otávio (que estava envolvida nele, e ele “não percebeu” quando ela se soltou) para correr em direção a um rio próximo à fazenda onde estavam, no Mato Grosso do Sul, durante uma “tempestade”, que só ventava e relampeava. Nesse momento, vimos um flashback que apresentou como o casal se conheceu, que foi às margens daquele mesmo rio.
Essa primeira tensão é resolvida quando vemos Maria, super calma (e diferente da surtada de cenas atrás) e ninando o seu filho no quarto do casarão. Engraçado é que até a tempestade parou quando Maria foi descoberta. Acho que a tempestade estava procurando por ela também...
Mas a “grande cena” do capítulo foi um sequestro muito do confuso e repentino que aconteceu, em que o bebê de Maria, a empregada e o seu filho são raptados num caminhão. Numa cena terrível de perseguição (mocinho e bandidos), tivemos um momento tenso (a la Michael Jackson) quando um dos meliantes ameaçam Otávio colocando seu filho para fora do caminhão. O choro da criança é perturbador, junto com a trilha sonora (que por sinal, é muito antiga e feia no geral). No desenrolar da cena, descobrimos que a ama de leite conhecia o sequestrador e que, agora, queria Maria (a louca... rs!) de qualquer jeito. Para quê? Ninguém sabe. O sequestrador ameaçou a servente de vender os órgãos do seu filho. Foi uma indireta à próxima novela de Glória Perez, na Globo? (Para quem não sabe, “Salve Jorge”, substituta de “Avenida” na Globo, falará dentre outros temas, sobre o tráfico humano).
E é com esse close fake que o primeiro capítulo se encerrou.
Como se não bastasse a tosquice e a incompreensão desse sequestro, o capítulo se encerra com um close forçado de Maria, num famoso congelar de cena e efeitos gráficos para fechar aquele capítulo de forma medonha ao meu ver. Resumindo: um primeiro capítulo absurdamente #FAIL.
Apesar dos pesares, o primeiro capítulo de “Máscaras” ficou na vice-liderança isolada, perdendo para a ótima segunda temporada de “Tapas & Beijos”, na Globo, com médias de 10 e picos de 12 pontos no ibope. Além disso, a hashtag #Máscaras ficou em primeiro lugar nos Trending Topics do Twitter no Brasil durante toda a exibição da estreia.
O que posso dizer é que “Máscaras” não me atraiu em seu primeiro capítulo para continuar assistindo a trama, devido a suas falhas de história e produção. Mesmo sabendo que muita coisa pode acontecer ao longo de seus quase 200 capítulos, eu prefiro usar máscaras do que assistir a essa nova novela da Record. #RGnãoRecomenda =/















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