RG CRÍTICA #42: A EXCITANTE VOLTA DE 'AMOR E SEXO'

Fernanda Lima e companhia estrearam nova temporada em novo dia e horário na Globo. O resultado foi bom para todos nós!

RG INDICA #60: LEITURA DINÂMICA

Revista eletrônica da RedeTV! mostra que existe vida para programas desse gênero além dos domingos.

RG CRÍTICA #41: RETROSPECTIVA 2015

Confira o que foi destaque na TV aberta neste ano.

RG INDICA #59: ESPECIAL DE NATAL 2015

Confira a programação especial da TV aberta para celebrar a noite de Natal.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

RG CRÍTICA #34: SEM CENSURA

Leda Nagle comanda a opção mais inteligente nas tardes da TV aberta.

O programa tem 33 anos de história!

Em meio a reprise de novelas, filmes e séries enlatadas e programas de pouco conteúdo no horário vespertino, que tal uma alternativa que mescla informação e entretenimento de maneira simples e objetiva? Parece que estou falando de um programa novo, mas não é. Essa atração está no ar há 33 anos e é, de longe, a opção mais inteligente nas tardes da TV aberta. Estou me referindo ao Sem Censura, apresentado por Leda Nagle, na TV Brasil.

Criado em 1981, o Sem Censura tem o compromisso de levar ao telespectador informações sobre o que acontece no Brasil e no mundo, em diferentes áreas da atividade humana. Há 16 anos, Leda Nagle ancora o programa, que tem alcance nacional e busca sempre trazer as tendências mais atuais: as descobertas mais recentes da medicina, a preservação do meio ambiente, a busca pela melhoria da qualidade de vida, a informação cultural, as formas de lazer fazem da atração um sinônimo de entretenimento com responsabilidade.

Parei um dia desses para assistir um programa na íntegra e me chamou atenção a abertura simples e clean do Sem Censura. Logo após, a segurança e a coerência de Leda Nagle, que também é editora-chefe do programa, em fazer uma escalada redondinha, conseguindo apresentar e interligar todas as pautas do dia sem parecer forçado. 

Leda Nagle é apresentadora e editora-chefe do Sem Censura.

Além disso, o Sem Censura não é parado no tempo e acompanha as tendências atuais de comunicação, onde os telespectadores são incentivados a integirem nas mais diversas plataformas (E-mail, Twitter, Facebook e Instagram). O debate no programa também se torna enriquecedor na medida em que, independente da sua pauta, todos os presentes (geralmente cinco convidados) podem intervir com colocações a qualquer momento.

Com direção de Cristina Ferreira, a atração consegue desenvolver, ao vivo, todas os assuntos planejados, sem precisar correr ou até mesmo "derrubar" uma pauta. Uma organização de fazer escola em muitos programas de "variedades" que estão por aí atualmente.

Os 90 minutos que o Sem Censura fica no ar diariamente, de segunda à sexta, a partir das 16h na TV Brasil (com reprise às 2h30 da manhã) merecem ser apreciados por quem gosta de um bom bate-papo com prestação de serviços e para quem busca se informar para formar opinião sobre os mais diversos assuntos, sem nenhuma censura.

domingo, 14 de setembro de 2014

RG INDICA #52: MEGA SENHA

Game show comandado por Marcelo de Carvalho faz sucesso na RedeTV!

Formato americano da FremantleMedia é sucesso no Brasil.

No ar há quatro anos, o programa “Mega Senha” se estabelece na RedeTV! com uma das maiores audiências da casa. A atração é uma versão brasileira do “Password”, que começou a ser exibido em 1961 nos Estados Unidos, e é produzido pela emissora paulista juntamente com a FremantleMedia, detentora dos direitos. Atualmente, vai ao ar aos sábados às 23h, sob o comando de Marcelo de Carvalho, um dos presidentes do canal, casado com a apresentadora da mesma casa, Luciana Gimenez.

Luciana Gimenez nunca se sentiu à vontade no Mega Senha.

“Mega Senha” estreou na RedeTV! no dia 29 de abril de 2010. Na época, Marcelo dividia a apresentação com a própria Luciana Gimenez às quintas-feiras. Quatro meses depois, o game-show passou a ser exibido aos sábados. Em 2011, Luciana decidiu deixar o comando do programa. A morena explicou os motivos nada amigáveis dessa atitude em abril deste ano ao jornalista do UOL, Maurício Stycer: “Não rolava. Eu ficava muito chateada porque ele não era apresentador, ele não tinha noção de espaço, ele conta isso. [...] Já é difícil pra uma apresentadora que sempre trabalhou sozinha de repente ter um cara do seu lado, que é patrão, que manda no negócio, que invade a minha fala, que guarda tudo na cabeça, porque não lê TP [teleprompter]. Então não dava, aquele negócio me deixava constrangida. Às vezes a gente brigava e não era brincadeira! Então, coitadinho, ele foi ficando do ladinho do púlpito, ficava ali acoado, foi muito difícil. E eu achava que eu acabava prejudicando o programa porque […] eu segurava ele. E eu acho que faço coisas mais espontâneas, aí eu "tomei bode". Então eu falei: "Quer saber? Fica você sozinho." É o que ele queria fazer desde o começo. E acho que ele tá fazendo super bem, tá realizado, tá reinando lá. O povo gosta, tá dando audiência, então é isso que importa. Ter o marido feliz em casa é bem melhor”, encerrou.

A dinâmica do “Mega Senha” é bem simples: Existem dois times, cada um formado por uma celebridade e um participante. Na primeira etapa do jogo – composta de quatro rodadas eliminatórias – um dos membros da dupla dá dicas para que o outro descubra qual é a palavra secreta (a Mega Senha) daquela rodada. O participante que acertar o maior número de palavras ao final das Rodadas Eliminatórias passa para a etapa seguinte. A segunda etapa do jogo consiste em seis rodadas, nas quais a dupla precisa acertar cinco Mega Senhas em um minuto e meio. A cada rodada, o desafio fica maior, já que o número de Mega Senhas vai diminuindo. Se no primeiro round (que vale 10 mil reais) o time precisa acertar cinco Mega Senhas dentre dez disponíveis, no sexto e último round – valendo o prêmio máximo do programa, de 1 milhão de reais – são apenas cinco palavras disponíveis e todas tem que ser adivinhadas corretamente.

Marcelo de Carvalho segue feliz no comando do Mega Senha.

Embora pareça fácil, o “Mega Senha” nunca conseguiu entregar o prêmio máximo a algum participante nesses quatro anos de existência. Contudo, em agosto desse ano, o programa bateu a marca de 7 milhões de reais em prêmios distribuídos até hoje. Com números satisfatórios de audiência na RedeTV!, o game-show tem patrocínio master da marca Bombril desde fevereiro de 2012. O sucesso da atração já se converteu em duas versões de jogo de tabuleiro produzidas pela marca Estrela e um game na rede social Facebook. A espontaneidade de Marcelo de Carvalho na apresentação do programa também favorece o bom desenvolvimento da atração, sendo uma boa opção de entretenimento para toda a família nos sábados à noite.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

RG A CABO #03: A SEGUNDA VEZ (MULTISHOW)

Marcos Palmeira protagoniza série focada em prostituição.

Marcos Palmeira cercado de beldades no novo seriado do Multishow.

Um jornalista perde o emprego e a mulher no mesmo dia. Se vendo obrigado a mudar completamente a sua vida, acaba virando um "cafetão" no sensual e perigoso mundo da prostituição de luxo de São Paulo. Esse é o mote da série "A Segunda Vez", protagonizado por Marcos Palmeira, que está no ar no canal Multishow de segunda a sexta às 22h30.

A trama é baseada no livro “A Segunda Vez Que Te Conheci”, escrito por Marcelo Rubens Paiva, e terá 15 episódios. Sua estreia no canal fechado foi no dia 11 de agosto. A série foi gravada entre janeiro e fevereiro desse ano e custou aproximadamente 3 milhões de reais. Além de explorar o mundo das prostitutas, será abordado questões como bissexualidade, algo comum entre as moças desse meio.

Na sinopse, Raul (Marcos Palmeira) é um jornalista que acaba indo morar num flat num bairro nobre de São Paulo, emprestado pelo seu melhor amigo, Luiz Mário (Fabrício Belsoff). Numa visita à piscina do novo prédio, Raul se vê rodeado de mulheres lindas, que ele descobre ser garotas de programa "de luxo" que vivem por ali. O jornalista logo fica fascinado com Carla (Letícia Persiles) e concorda em ajudá-la em um programa, decisão que mudaria sua vida.

Palmeira vive um jornalista que vira cafetão em São Paulo.

À medida em que seu casamento com Ariela (Priscila Sol) desmorona, Raul se vê cada vez mais envolvido com o mundo de Carla e suas amigas. Com ajuda de Luiz Mario e Fabi (Nathália Rodrigues), a melhor amiga (gostosa) de sua ex-mulher, o jornalista se joga de cabeça numa empreitada que vai mudar a cara da prostituição de luxo na capital paulista e colocá-lo em rota de colisão com o cafetão Aquiles Perrone (Roney Villela).

No meio do caminho, entre o prazer e o trabalho, Raul acaba mudando a vida de meninas como Luiza (Monique Alfradique), Michela (Gabriella Greco), Gabriela (Eline Porto) e Janaína (Camila Lucciona), cada uma com seus sonhos, passados e conflitos. Mas Marcos Palmeira adverte: “Raul não é pegador. Ele está focado em sua ex-mulher, ainda está apaixonado por ela”, justifica.

Se o seriado tiver boa aceitação do público, uma segunda temporada não é descartada pela equipe: “Do ponto de vista do canal e nosso, é 100% a vontade de fazer uma nova temporada e deixamos o gancho pra segunda temporada. A série é baseada no livro, mas pode se desgrudar dele a cada temporada”, acredita o produtor Gil Ribeiro, da Conspiração Filmes. Caso essa segunda temporada se concretize, uma das ideias é mostrar como seria a vida de Raul transformado após a experiência com as meninas. “A Segunda Vez” é uma série dirigida por César Rodrigues, que tem em seu currículo a série “Vai Que Cola” (também do Multishow) e o filme “Irmã Dulce”.

De acordo com o site Multishow, o seriado é exibido de segunda a sexta, às dez e meia da noite, com horário alternativo de terça a sábado à 1h30 da madrugada.

SINTONIZE NA TV A CABO: O Multishow está disponível em todas as operadoras no Canal 42.

RG ENTREVISTA #09: GUSTAVO ALMEIDA

Gestor de Programação da TVU Recife tem um papo franco sobre televisão.

Gustavo tá na TVU desde 2012.

“...Pra que emprego, que coisa chata! / Aproveite o Carnaval / Mesmo sem luz, proteção, nem dinheiro / Por favor, não mude o canal...”. O trecho da música “Seu Mestre Mandou”, de Pitty, mostra um pouco da influência que recebemos da televisão, que a cada dia se mostra uma faca de dois gumes. Nos divertimos, mas também nos iludimos. Nos informamos, mas também nos enganamos. O #RGnaTV sempre mostra o lado positivo e bacana da telinha, mas é bastante oportuno mostrar também um lado crítico sobre esse, ainda imponente, veículo de comunicação. E acho que consegui falar com uma pessoa certa para esse #RGEntrevista. Gustavo Almeida é diretor de programação da TV Universitária, em Recife. Nesta pequena-grande conversa, além de falar da sua carreira, o também editor do blog colaborativo Recortes do Todo falou um pouco sobre TV pública, o posicionamento da mídia sobre manifestações como o “Ocupe Estelita” e os aspectos positivos e negativos do que temos na TV aberta atualmente.

RG na TV: Como você veio parar na área de comunicação? Era uma vontade sua? Pode contar um pouco da sua trajetória?
Gustavo Almeida: Lembro-me de, ainda criança, dizer em casa que queria morar dentro da televisão, de tanto que eu gostava de ficar sintonizado! Fiz Comunicação Social com habilitação em Rádio & TV na UFPE e, no mesmo período, também cursei o profissionalizante de nível médio em Radialismo, na antiga Escola Técnica Federal de PE, hoje IFPE. Um ano e meio era a duração desse curso. Terminei-o quando estava no quarto semestre do curso superior (1998). Fui solicitar um estágio na Rede Globo Nordeste e consegui. Assim que eu entrei, surgiu uma vaga para um cargo efetivo, candidatei-me e depois de um rigoroso processo seletivo, que durou um mês, eu fui contratado.
Ali começava, efetivamente, minha carreira profissional. Na Globo eu fui produtor e redator de promoções da Programação e coordenador de transmissão ao vivo e de gravações especiais, além de desenvolver também outras atividades correlatas. Fiz alguns intercâmbios na sede da empresa no RJ e também em SP, foi uma boa escola. Saí de lá para ser gerente de Produção e Programação da TV Jornal. Fiquei quase 3 anos na emissora do Sistema JC. Durante minha passagem por lá, ingressei no mestrado em Comunicação da UFPE, com pesquisa sobre o discurso autopromocional da televisão brasileira. A saída da TV Jornal coincidiu com a conclusão do mestrado e minha decisão de seguir carreira acadêmica. Tornei-me professor de Comunicação e passei a lecionar em algumas faculdades. Ainda voltei pra Globo e passei mais 1 ano meio. Em 2011 dirigi um programa televisivo sobre moda e comportamento (“Casa de Botão” – 23 programas), fruto de um projeto da Plano 9 Produções, incentivado pelo Funcultura. Eu diria que isso resume a minha trajetória até 2012.

RG: Hoje você é responsável pelo setor de programação da TV Universitária, mas dentro da emissora você já foi apresentador e diretor, certo? Quanto tempo você está na casa e como é a sua relação com o canal?
Gustavo: Entrei na TVU em 2012, no cargo de diretor de produção, através de aprovação em concurso público, pois a emissora faz parte do NTVRU, Núcleo de TV e Rádios Universitárias da UFPE, ou seja, voltei para a Universidade que me formou, agora não mais como estudante de graduação e de mestrado, mas sim como servidor. Na emissora, já desempenhei algumas variadas atividades, sempre ligadas às áreas de produção e programação. Não fui apresentador, mas locutor, produtor e redator de chamadas, coordenador de transmissão ao vivo, diretor de documentário, diretor de programa, produtor, roteirista de programação e, desde julho/2014, estou como gestor do departamento de Programação, buscando participar ativamente do projeto de reestruturação organizacional em curso.

RG: Desde o início de 2013, a TVU começou a investir numa nova identidade visual e no slogan "Nossa TV Pública". Poderia falar um pouco sobre o que é uma TV pública e como tem sido a atuação da TV Universitária nesse meio?
Gustavo: Essa pergunta pede uma longa resposta, bem maior do que as anteriores, não cabe aqui nessa entrevista, talvez em outro espaço, mas tentarei esclarecer em linhas gerais.
Historicamente, em 1950, a televisão no Brasil surgiu comercial, diferentemente do que ocorreu nos mais importantes países da Europa, berço da televisão e da comunicação pública. Em nosso país, a televisão pública só veio surgir em 1968, exatamente com a inauguração da TV Universitária do Recife, que foi, na verdade, a primeira emissora educativa e que tinha algumas, poucas, características do que se entendia como televisão pública no resto do mundo. A confusão conceitual não é de hoje, começou naquela época. Em 2007, o Governo Lula criou a EBC – Empresa Brasil de Comunicação, fazendo surgir também a nova TV pública nacional, a TV Brasil. A TVU Recife tornou-se parceira da EBC e passou a ter como sua rede geradora a TV Brasil.
História à parte, pode-se dizer que a TV pública tem como princípios, entre outros, a pluralidade de temas, produção de conteúdo – artístico, cultural e jornalístico – sem subordinação a interesses comerciais e, principalmente, que tem sua grade de programação construída coletivamente com a sociedade, representada por alguns cidadãos, indicados pela própria sociedade, em diversos conselhos e comitês das emissoras, tais como conselho curador, conselho de programação ou comitê de conteúdo. Na televisão pública, os comunicadores e demais profissionais não devem estar a serviço de um empresário concessionário de canal de radiodifusão, como nos canais comerciais, e sim a serviço do povo. O cidadão contribuinte é o seu “patrão”. De tal modo que a pluralidade de temas, a qual eu me referi, deve trazer à tona a vastidão de sujeitos, culturas, etnias e outras características que marcam a sociedade, sempre respeitando as pessoas. A participação social, além da presença em conselhos e comitês, deve se dar também através da produção dita independente, isto é, a que não é feita por profissionais da própria emissora, buscando assim garantir diversidade e diversificação de olhares e percepções de variados produtores e diretores de conteúdo.
Em suma é isso, mas reforço o que disse no início da resposta, o debate sobre TV pública é muito amplo para se esgotar aqui nessa breve entrevista. Antes de terminar a resposta, sugiro uma leitura atenta ao Projeto de Lei de Iniciativa Popular que está circulando no país. Este projeto, popularmente chamado de Lei da Mídia Democrática, pretende, primeiramente, conseguir a regulamentação constitucional dos itens que versam sobre a Comunicação Social e, a partir daí, criar regras e definir ferramentas de controle social sobre os veículos de comunicação eletrônica no Brasil. O projeto está na íntegra apresentado no site www.paraexpressaraliberdade.org.br.

"Não se tem comunicação social e sim comunicação capital."
(Gustavo Almeida, sobre a cobertura da imprensa local do "Ocupe Estelita")

RG: Alguns programas da TVU saíram do ar esse ano, tais como o Curta Pernambuco (que era o programa mais antigo da emissora até então) e o Cinema 11. Poderia dizer quais os motivos? Eles voltarão?
Gustavo: Os referidos programas saíram da grade por força de um projeto de reestruturação organizacional que a atual gestão do NTVRU está empreendendo desde fevereiro de 2014. A partir da escassez do quadro de servidores e de cortes da UFPE no número de bolsas para estudantes, entre outras coisas, o corpo gestor adotou a estratégia de eleger algumas prioridades, no caso da produção de conteúdo a prioridade deste ano foi dada ao programa de debate Opinião Pernambuco, assim, o Curta PE e o Cinema 11 foram retirados da grade. Mas a proposta da reestruturação prevê uma faixa de programação dedicada à cadeia produtiva do audiovisual local ainda maior do que os 30 minutos semanais de cada programa que saiu. A gestão do NTVRU e a UFPE entendem a importância da produção cultural e audiovisual que vem destacando Pernambuco no cenário nacional e também na esfera internacional e pretende destinar uma (ou mais de uma) faixa horária especialmente voltada à veiculação de produções audiovisuais pernambucanas. Se os programas vão voltar ou não, só saberemos quando o Comitê de Conteúdo do Núcleo estiver atuando efetivamente, algo previsto ainda para 2014.

RG: A televisão pernambucana - na verdade, a imprensa do estado como um todo - tem sido questionada atualmente por levar ao seu público uma visão muito parcial de casos de grande relevância na nossa sociedade, como o movimento #OcupeEstelita. Qual o seu ponto de vista sobre este caso e a falta de espaço desse assunto à população?
Gustavo: Minha opinião é objetiva, tal e qual a objetividade do mercado publicitário, que mantém as emissoras comerciais. Esse tema não tem espaço nos canais comerciais e jornais porque a indústria em torno dos empreendimentos imobiliários é uma das principais anunciantes desses veículos. A linha editorial do veículo termina subordinada ao seu departamento comercial. E isso não é exclusividade de Pernambuco. Na verdade, digo que não se tem comunicação social e sim comunicação capital.

RG: Estamos na época da TV digital. E o processo de desligamento do sinal analógico já foi determinado por lei em todo o Brasil, embora só seja concluído no final de 2018. Qual a visão da TV Universitária sobre esse assunto?
Gustavo: A UFPE está atenta e muito interessada na migração do sinal analógico para o digital, até porque esse é um processo sem volta. Projetos para essa finalidade estão em curso dentro do Núcleo e sendo acompanhados pela Universidade, tudo dentro das exigências do Ministério das Comunicações.

RG: Pra você, o que falta na televisão aberta atualmente?
Gustavo: Programas de entretenimento com mais criatividade e mais respeito ao cidadão. Jornalismo livre do mercantilismo da comunicação capital e que provoque reflexão sem impor, implícita ou explicitamente, a opinião e/ou ideologia da emissora. Aliás, acho que a empresa/emissora deveria ser obrigada por lei a informar ao cidadão qual a sua linha ideológica e editorial. Isso posto as pessoas seriam menos manipuladas por discursos subliminares e tendenciosos, mentirosamente chamados pelas emissoras de imparciais.

Gustavo tiraria do ar qualquer programa que desrespeite 
os seres vivos.

RG: E na televisão pernambucana?
Gustavo: Sou muito crítico em relação ao que é produzido pelas emissoras de Pernambuco. Não vejo nada de inovador nos programas de produção artística e cultural e nem vejo um jornalismo livre, social e positivamente diferenciado. Com a reestruturação, a TVU Recife pretende preencher essa lacuna, sobretudo, porque faz parte de uma de suas premissas básicas, se vai conseguir ou não, o tempo dirá. Tomara que sim!

RG: O que já te divertiu e o que te diverte na televisão hoje em dia?
Gustavo: Sempre gostei muito de programas musicais e esportivos. Com a chegada da TV por assinatura e seus canais segmentados, passei a ver, com muito prazer, documentários, que é um gênero que não tem espaço na TV aberta, infelizmente. Hoje, com a novidade do conteúdo sob demanda e com a vasta gama de possibilidades que a Internet oferece, tenho me divertido com alguns produtos, programas e canais alternativos nessa multifacetada plataforma, mas usando o suporte televisivo conectado à Internet para assistir. Na televisão aberta continuo vendo programas de esportes e transmissões esportivas. Nos canais por assinatura, documentários dos mais diversos e shows/programas musicais.

RG: O que você tiraria do ar definitivamente?
Gustavo: Qualquer programa ou produto que desrespeite os seres vivos.

Entrevista incrível! Obrigado, Gustavo!